Quando o PC era o único dispositivo - parte 1
Talvez esse texto não seja tão bem escrito, pois tenho tentado aceitar que um texto não precisa ser bom ou ruim, às vezes ele só precisa sair da sua cabeça. Real artists ship, frase que vi no canal Uncoverage de um criador chamado Austin no YouTube.
Parte 1 - Do arquivo
Ou dos arquivos, ou do diretório de arquivos, ou do armazenamento.
Venho falar de novo sobre uma inquietação em ter mais de um dispositivo; acho que eu chamaria de scatterbrain, uma sensação de cérebro espalhado, de ter suas coisas em algumas gavetas no seu quarto, mas lembrar que talvez aquilo que você quer olhar ou lembrar tá em cima do guarda-roupa de um outro quarto. E pior: às vezes tá na casa dos seus pais e não tem como você ter acesso.
No que passei a chamar de "Parte 0" desse descompromissado artigo, falei sobre os anúncios do PowerBook da Apple dos anos 1990.
(e agora, pela primeira vez, tentarei linkar uma foto no Bear Blog, pois não pago pelo Pro, e não me importarei de um dia esse link quebrar pois ele está sendo retirado direto da World Wide Web)
Esse anúncio me remete à noção da mudança do "arquivamento pessoal", que era mais analógico, com folhas impressas ou datilografadas e fotos reveladas, ou seja, que eram fisicamente palpáveis, para uma realidade digital, escondida através da tela e do disco rígido.
Creio que isso me vem por ter uma questão em particular com atualmente ter vários dispositivos, com arquivos espalhados por eles. Pra piorar, ainda tenho 02 sistemas operacionais no meu computador pessoal, apenas o Linux sendo capaz de ver os arquivos do Windows e não o contrário.
O smartphone é a única plataforma de computação para a grande maioria da população. É também a principal plataforma de vários outros, usando um computador com teclado apenas para questões mais específicas de trabalho ou diversão. Minha inquietação não é a de muitos, mas é a de vários também (kkkkkkk).
Neste meu primeiro ano de trabalho, observei um hábito peculiar de duas colegas que utilizam o WhatsApp como armazenamento de arquivos, utilizando seus contatos como palavra-chave para encontrar tal e outro documento. É o becape comunitário, com a Meta como intermediária, e muitos o fazem.
É esperado que as coisas estejam assim: pensamos hoje na internet e em nossos dispositivos como garantidos, sempre acessíveis, até o momento que não o são.
É mesmo necessário simplificar as coisas. E algumas pessoas preferem manter tudo no celular, com memória interna cada vez maior, e contar com a "nuvem" de alguma Big Tech pra ajudar.
Claramente, isso só vai mudar quando uma outra empresa, Big Tech ou não, notar alguma mudança no público, com aumento da demanda para arquivamento local.
Se eu tivesse que fazer um palpite para o futuro, seria o seguinte.
Acredito que ainda não exista hoje uma onda de empresas que aprimorem e ofereçam arquivamentos NAS (Network-attached Storage) para consumidores comuns, com interfaces inteligíveis e um software "imutável" e estável. Um NAS é um armazenamento conectado a uma rede, e algo desse tipo para o consumidor leigo provavelmente será um dos próximos passos de "soberania digital", um dia.
Quem sabe a solução não seja um computador-servidor com NextCloud para servir uma casa?
Só tem que se tornar mais inteligível, acessível, difícil de ter problemas e fácil de solucionar os que surgirem.
No dia que a Apple não quiser mais ofertar o iCloud pro consumidor leigo que enche o celular de foto e vídeo e logo recebe a oferta do serviço de nuvem, veremos um retorno de algo como o esquecido "AirPort Time Capsule", um dispositivo da série de roteadores Wi-Fi da Apple que tinha um NAS embutido.
Acho que isso de uma memória local é minha solução de hoje, o que eu gostaria de ter.
Um hub onde se deposita as fotos e talvez um computador que as processe e faça o trabalho que um Google ou Apple Fotos da vida faz: de te relembrar de momentos antigos, de te disponibilizar fotos rapidamente, mas de uma forma segura, privada e local, como o programa Immich. Manter cópias digitais de documentos de forma privada, etc.
Cheguei a pensar sobre essas questões após ler uma publicação do Fatih Arslan, um desenvolvedor turco que publica um blog pessoal, sobre o seu Homelab (um computador-servidor de casa). Tem várias camadas de complicação, assim como várias coisas de computador.
Há um tempo atrás, li um texto sobre uma ideia de "nuvem comunitária" local em substituição às nuvens das Big Tech, mas não consegui encontrar o link. É uma ideia massa, apesar de um pouco utópica.
(Atualização 26/12/25: encontrei o link, é de uma entrada de newsletter de nome "O futuro não é auto-hospedado". Ressalta a relevância da nuvem ser comunitária, ser compartilhada por algumas pessoas para ser usada em conjunto. É interessante como essa ideia de "biblioteca" ou praça - de algo comunitário - me fascina.)
...e esse é o fim dessa parte. Meio anti-climático hahahah; acho que não tenho mais a acrescentar sobre essa minha irritação por hoje.
Pra parte 2, acho que vou abordar minha obsessão com dispositivos híbridos (tablets, computadores 2-em-1, lapdocks, interface desktop para celulares, dobrável tablet-celular, etc).
Pra quem quiser, sugiro esse vídeo também do canal Uncoverage do Austin Ha, sobre input-output resolution de nossa interação com dispositivos eletrônicos.