Meditação sobre Season, um jogo
- Eu tinha 1 mês e 4 dias para terminar "Season: A Letter to the Future", jogo que comprei na Steam e ressarci porque entrou no PS Plus e, tendo acesso a conta de uma amiga, resolvi jogar através do Playstation. Eu "tinha" esse tempo e impulsivamente decidi excluir o jogo.
- Season é o jogo que mais me chamou a atenção no lançamento do PS5 em 2020. Foi a primeira vez que vi um trailer do jogo. Esse primeiro trailer é extremamente cinematográfico, e dá vontade de viver tudo aquilo que ele mostra.
- A decisão de desistir de terminar é também porque esse jogo quer ser saboreado nas minúcias de uma vida, sem ser apressado. E nas últimas semanas tenho me sentido impaciente, o que me impede de aproveitar algo tão lento.
- Acabei lembrando da experiência de assistir Pokémon quando criança e jogar o "Pokémon Diamond" pela primeira vez; mesmo com os gráficos 2D, me parecia fantástico. Parecia que eu estava vivendo o desenho animado. Hoje, penso que era só a sensação da primeira experiência.
Tangente: minha mãe deu meu DS Lite que ela tanto criticou na época da compra por ter sido muito caro pra ser apenas pra jogar. Ainda lembro da sensação borrachuda dos botões, em comparação ao 3DS (também dado pra alguma criança pela minha mãe). Me vem a vontade de pedir de volta, mas acho que não vai fazer diferença na minha vida. Nem deve estar sendo usado, se ainda estiver na casa de alguém e não no lixo.
- Além disso, me faz pensar no anime do "Genshin Impact" (título de jogo que inclusive não fazia sentido no início, mas pode ser que a história esteja se revelando para fazer sentido ao título). O anime faz com que a história fique ainda mais linda e interessante de ver se desenrolar.
- Mas qual é a melhor ordem para um vir antes do outro?
- Eu idealizei Season de uma forma diferente do que ele se demonstrou na minha gameplay. Estou a caminho de assistir uma pessoa jogando para poder entender até onde a história vai sem precisar jogá-la.
- Acho que se esse jogo fosse um filme, eu adoraria, eu amaria, seria um dos meus favoritos; mas é um jogo. E isso tem seus prós e contras.
- Talvez não faça diferença um vir antes do outro, mas sim cada um deles ser a própria coisa completa. Um mangá origina um anime, mas cada um é completo em si.
(Tangente 2: Eu adoro artes feitas por fã, e tem um criador específico que faz artes com Harvey, o médico de Stardew Valley, e um personagem chamado Donny, que é um grandão musculoso ruivo, que não existe no jogo. É belo, mas não é o jogo. O trailer de Season é belo, mas não é o jogo, e arrisco dizer que revela que a história teve que ser bem recortada para a publicação final)
- Meu namorado também ressaltou o fato de termos muitos jogos à mão nas assinaturas: não fazemos questão de nos forçar a ler ou jogar, atividades que demandam tempo. Comprei o "Resident Evil: Requiem" pra ele por 350 reais e ele está jogando aqui e ali, vez em quando. Ele comprou o Hogwarts Legacy pra mim, mas acabei nem jogando e apenas apreciei andar pelo mapa e pronto.
- Existe algo a ser dito sobre "viver em primeira mão" em contraponto a "ver a vida se desenrolar".
- Essa é minha reflexão sobre a impaciência de jogar um jogo de estória, ter que viver minha vida e assistir Frieren.
- Assistir Frieren e alguns outros animes calmos me deixa alegre. São 20 minutos cronometrados, que sei que vou assistir e pronto. Iniciar um jogo requer uma incerteza do tempo que ele vai levar pra chegar em algum lugar.
- Será que sou uma pessoa de desenho animado e séries? Que se contenta em assistir coisa pequena e por esse motivo não consegue lidar com algo que demande mais tempo?
- Tenho lidado com questões bobas como essa na intenção de encontrar algum autoconhecimento.
- Algo positivo que posso dizer sobre Season é que o fato da protagonista criar um livro de memórias é inspirador. Eu tenho um diário que costumava escrever quando tinha algo muito pesado na cabeça e ajudava a me acalmar, mas nunca tive algo na intenção de registrar para memória.
- Inspirado pela minha amiga Gabriela que tem mantido seu blog atualizado e que eu tenho adorado ler, comprometi-me a simplesmente enviar este post.
- O post tá com essa diagramação de lista porque agora tô digitando mais pelo Logseq, um software que parece um diário para registrar várias coisas - tipo Obsidian, mas de código aberto. Voltei a usar o Syncthing pra manter os arquivos do Logseq sincronizados com o tablet e o celular; pensei até em registrar umas prescrições do trabalho pra sintomas específicos ou cálculos de dose pra não ter que pesquisar novamente toda vez, porém não comecei a fazer essa parte (rs).
- Eu cheguei a juntar outros registros que tinha feito ao longo do último ano pra incorporar ao diário do Logseq, e em um deles eu dizia que estava "um poço de conjunção de adversidade" porque após tudo eu queria escrever uma contraposição. Eu ainda vivo assim e às vezes penso que o desejo de sempre querer usar o "mas" é falta de leitura; a questão de estar muito "contrapositivo", no entanto, deve ter alguma outra base mais profunda.