Interação Humano-Máquina
Em uma certa perambulação pela internet, encontrei-me com um artigo de um mestrando em Design, chamado Vidit Bhargava, que escreveu sobre plataformas de computação que não distraem o usuário, algo bem "of the times" quando se fala de vício em smartphones e etc.
A aplicação mais interessante pra mim foi a lâmpada que ilumina e reconhece o que está embaixo dela, podendo fazer cálculos e desenhar gráficos a partir de uma equação, por exemplo. A Apple até já publicou uma pesquisa com algo semelhante.
O tempo foi passando e não tinha salvado o artigo nos favoritos, lugar onde costumo manter leituras interessantes que podem um dia inspirar novamente meus pensamentos; e então, choquei-me (de colidir kkkkk) com um vídeo mencionando o Dynamicland, este que também serviu de inspiração para a pesquisa supracitada.
Dynamicland é um projeto de um tecnólogo chamado Bret Victor, que chegou a trabalhar na Apple um tempo atrás desenvolvendo e pesquisando meios de interação humano-máquina.
Esse projeto, eu diria, é a "magnum opus" dele. Aparentemente, ele tem dedicado sua vida a pensar esse "meio humano dinâmico" (como ele mesmo chama em seu site pessoal), usando essas palavras bem específicas, aplicando-as, explicando-as e registrando todo um material sobre esse novo meio de interagir com um computador, além de demonstrá-lo em alguns cenários.
Vale a pena assistir a explicação dele sobre sua obra, e talvez ler os materiais. Eu mesmo fiquei por volta de uma semana fascinado e meio obcecado lendo e assistindo sobre.
A faceta que mais me interessa é a aplicação sobre educação e aprendizado, principalmente quando se pensa em uma biblioteca com materiais e um computador-projetor que possa auxiliar na interação entre as pessoas que estão ao redor de uma mesa, compartilhando o saber.
Como o próprio autor exemplifica, é o inverso de crianças com tablets à sua frente, interagindo com mundos virtuais ou "ficcionais" dentro da tela.
O autor mostra fotos de adultos e crianças, supostamente da mesma família, preparando uma refeição numa cozinha, e aponta isso como inspiração para pensar essa computação compartilhada. É realmente um pensamento belo.
Em alguns materiais menos recentes, o Dynamicland se menciona como uma "spatial computing platform", e, acredito, o uso mais popular desse termo foi com o lançamento do Apple Vision Pro, que promete ser a realização da ideia de "computação espacial" (ô nominho, parece que tô falando de espaço sideral).
Caindo sempre no risco de me repetir, lembro-me do Austin do canal Uncoverage falando de como ele usa o Vision Pro, preenchendo a visão com várias abas durante uma pesquisa com registros no Obsidian, por exemplo. Parece um belo cenário para aprendizado individual, uma imersão no virtual.
O Vision Pro também tem alguns cenários de computação compartilhada de seu mundo virtual, tanto estando no mesmo ambiente, quanto estando em uma chamada com a Persona de alguém.
Ao pesquisar sobre a ideia principal ("motif") que percorre esses usos - que para mim se visualiza como um monte de papéis suspensos, livros abertos, excertos espalhados, círculos envolvendo materiais que se assemelham -, encontrei uma apresentação de um Microsoft Surface que era uma mesinha de centro com uma tela de toque.
Acredito que a ideia de grandes cavaletes com grandes lonas pra espalhar as ideias e fazer correlações visíveis percorre os cenários de computação que mencionei aqui, e isso é algo que me fascina.
Conectar um dispositivo pequeno num monitor grande transforma seu uso. Ter um teclado e um mouse muda a forma que interagimos com um dispositivo primariamente de toque. E um meio diferente de computação molda nosso modo de pensar.
Surpreende que o computador com interface gráfica mal tem meio século de invenção, e que cada aspecto de nossa interação com ele foi pensada e elaborada de uma certa forma, mesmo que utilizemos de diferentes jeitos.
É legal pensar como poderíamos evoluir a computação para auxiliar seres humanos em conjunto, na contracorrente de um só indivíduo em comunhão com a máquina. Ou mesmo pensar em como pode ser mais gratificante e benéfico à mente um outro tipo de computação mais palpável.