Devaneios/daydreams

As coisas nunca mais serão as mesmas, parte 2

Apesar de eu constantemente pensar que sou muito ocupado e atarefado, a realidade é que existe tempo pra fazer bastante coisa, se me organizar. E esse tempo está disponível porque não tenho me organizado para estudar para as provas de residência.

Porém, pra não falar sobre isso e sim sobre o que veio a minha cabeça e quis escrever, vou parar de falar disso. As minhas aulas na terça-feira já são repletas disso: colegas falando em nossas conversas casuais sobre como estudam horrores.

O canal Adrenaline é um dos maiores do YouTube sobre computadores no Brasil. E o apresentador, um careca que não lembro o nome agora, fez um vídeo sobre estar usando Linux. A minha única amiga que lê esse blog (ocasionalmente) lembrará que tive uma época ano passado de tentar forçar o uso do Linux (até em outras pessoas, inclusive ela kkkk). Usar um sistema baseado em Linux é ter que reaprender um tantão de coisa e também lidar com vários erros e falta de suporte. Mas dá pra fazer bastante coisa.

Eu gosto muito de ler sobre como as pessoas usam dispositivos diferentes e sobre coisas "retro-tech", ou seja, que tentam trazer nossos costumes antigos de uso de eletrônicos em detrimento do uso atual (com muito foco em tela e em ser alimentado por conteúdo) porque tenho vontade de reencontrar a sensação da infância com computador.

Meus pais tinham celulares e não usavam muito, eu era só um estudante de escola. Todo mundo assistia televisão, mas muitos de nós assistíamos a mesma coisa antigamente: a Globo.
Crianças iam atrás dos canais de desenho e no outro dia falavam sobre o episódio que passou.

Hoje, pra estar antenado junto com outras pessoas, é preciso estar conectado e recebendo essa alimentação, mesmo que ela esteja envenenada de anúncios hiperdirecionados (às vezes atacando nossos pontos fracos pra nos fazer comprar ou ter hábitos que fazem alguém lucrar direta ou indiretamente).
E dependendo do seu nicho, da sua bolha, você não se conectará com um certo outro grupo. Tenho dificuldade de me conectar com colegas héteros no trabalho porque "não temos nada em comum" pra conversar. Não tem meme de Patixa, eles nem sabem quem é. Agathar? Nem adianta mostrar, não vai ter graça.
Tudo é uma benção e uma maldição, não há algo totalmente bom pra todas as situações e questões.

Acabei entrando numa tangente sobre o conteúdo que consumimos depois de falar sobre como me interessa o que o nosso hardware, nossos dispositivos, nos direcionam a fazer.
O smartphone com a tela e os aplicativos de TikTok e Reels do Instagram nos direcionam a assistir vídeos curtos e nos perder no tempo gasto, apesar de termos que reconhecer que vídeos curtos são um meio de se informar que pode ser visto como eficiente: são várias informações em pedaços rapidamente digeríveis.

Às vezes penso (nostalgicamente ou de forma hiper-otimista) que um computador com teclado e mouse nos direcionam a surfar na Internet e não só nos alimentar do que os algoritmos nos servem.

Ultimamente tenho pensado também em como o Whatsapp é diferente do MSN Messenger, mesmo os dois sendo mensageiros instantâneos. Por ser um aplicativo de smartphone, sabemos que provavelmente a atenção será dividida entre o mundo real e o virtual, então ninguém está totalmente imerso como se estava no computador teclando pelo MSN. Pelo menos é assim que fantasio essa ideia.

Tento entender se é isso que me incomoda depois de passar horas nos vídeos curtos: não fui eu que escolhi passar por ali, ler ou ver aquilo. Mas as plataformas também se utilizam da nossa sociabilidade: hoje parte da comunicação é enviar vídeos uns pros outros.

Li algo que comentava sobre isso, mas agora não consigo achar kkkk <

Keep up with the times

Cambridge Dictionary
change with/keep up with/move with the times
idiom
-to change your ideas, opinions, or way of living or working to make them modern:
-I don't really like using the Internet, but you have to keep up with the times, I guess.

Me sinto rabugento (e até meio exausto e sem rumo) de querer "sozinho" que as coisas mudem e não simplesmente abraçar o que está posto. Gabi provavelmente dirá que isso é uma característica minha e que devo abraçá-la, que eu tenho ideias e gosto de sugerir usos mais saudáveis do que temos no dia a dia. Mas sei lá...
É ruim, Gabi, ser assim... O bom é vender curso no Instagram pra bobo e fazer publicidade de bet. É passar o dia nos Stories e nos Reels do Instagram, dando à Meta (o Facebook mesmo kkkk) o poder de moldar o que fazemos como sociedade; e dando ao Google o poder de decidir o que vemos no dia a dia.

A internet está tão fechada... por isso que uma parte dos jovens está decidindo viver fora dela, arrumando hobbies.
Será que eles estão retornando aos hábitos de antes de uma geração inteira adotar a Internet como único hobby?

Sei lá, pô. Já podia ter deixado esse texto pra lá em vários momentos.