"Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto"
- É sábado (de novo? acho que já postei alguma reflexão de sábado de manhã antes).
- Comecei a escrever e parei. Em algum momento hoje me veio a seguinte frase:
- "Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto".
- É de uma música de Legião Urbana. Falava-se tanto dessa banda quando eu era criança e adolescente. Na adolescência tive amigos que a adoravam, mas nunca escutei um álbum inteiro deles, apenas algumas músicas, que até cheguei a baixar pra escutar no fone de ouvido pelo celular.
- "Vento no Litoral" é uma das mais memoráveis da minha época de ensino médio; uma amiga me indicou e, por gostar bastante dela, escutava bastante e relembrava nossas caminhadas na calçadinha da orla. Isso foi em 2014. Eu tinha 15 anos; 12 anos se passaram.
- Tenho uma enorme questão com minha adolescência, e lembrar dessas coisas só me deixa mais melancólico. Apesar de olhar pra trás e notar que fui bem feliz e vivi muitas coisas na MINHA adolescência, meu comportamento padrão de sempre ver "a falta" sempre aflora. Eu quis ser um jovem cego que se apaixonava por um garoto da escola quando assisti "Eu não quero voltar sozinho"; quis ser um jovem com problemas e que "sentia demais" como em "As Vantagens de Ser Invisível".
- Na verdade, é vergonhoso admitir que eu romantizei muito o curta que mencionei anteriormente. Eu escutava "Janta" de Marcelo Camelo; eu cheguei a ficar de olhos abertos em pé na cama olhando pra lâmpada fluorescente do teto, tentando perder a visão; tentando emular quem eu não era pra estar mais perto de quem eu já era (um menino gay), talvez?
- 2014 foi o ano que definiu minha adolescência, foi quando encontrei minha turma de jovens diferentões (alguns deles hoje LGBTs, outros só progressistas mesmo). Em 2015, terminei o ensino médio. Levei aquele ano como se não fosse meu último ano de ensino médio, de convivência com aquelas pessoas.
- Inclusive, nem levei a sério o vestibular (corta pra 2026, ano que deveria levar a sério a próxima prova pra residência e não tenho estudado como deveria). Em 2016, fiz cursinho e passei só Deus sabe como; os professores davam o conteúdo mastigado e eu só engolia.
- Fiz o curso de Medicina quase do mesmo jeito: meu esforço sempre foi mínimo. Passei na atual residência nas últimas vagas, assim como passei em Medicina.
- A frase de Legião que me fez pensar em tudo isso se correlaciona com esse sábado: em vários momentos eu não sabia o que queria fazer. Tenho livros que Gabi e Day me deram. Tem o livro de Ursula que havia iniciado no Kindle. Tem o Nintendo, tem o Genshin; tem os estudos. Eu também ainda não sei o que quero fazer da minha carreira de médico.